Combate Feminicídio
Caminhada em Ibaiti marca Dia Estadual de Combate ao Feminicídio nesta quarta-feira
Evento promovido no Centro da cidade busca conscientizar a população sobre a violência contra a mulher e a importância da denúncia.
Publicado em
22/07/2026 às 09:46
Atualizado em
Nesta quarta-feira (22), data em que o Paraná celebra o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, Ibaiti promove a “Caminhada do Meio-Dia”, uma mobilização voltada à conscientização sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher. A concentração está marcada para as 10h, em frente à Prefeitura Municipal, com percurso pela Rua Paraná e encerramento em uma exposição de sapatos em homenagem às vítimas de feminicídio.
A iniciativa reúne a Prefeitura de Ibaiti, por meio das secretarias municipais, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e da Procuradoria da Mulher, com o objetivo de ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero.
A data foi instituída em memória da advogada Tatiane Spitzner, vítima de feminicídio em Guarapuava, em 2018, e reforça a necessidade de conscientizar a sociedade sobre os sinais que antecedem casos extremos de violência.
Advogada criminalista com atuação em crimes relacionados à violência doméstica e atual presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Ibaiti, a especialista destaca que o feminicídio é resultado de um processo que geralmente começa muito antes da agressão física.
Segundo ela, compreender o chamado ciclo da violência doméstica é essencial para interromper situações de risco. Após episódios de agressão, é comum que haja um período de aparente tranquilidade e reaproximação, conhecido como “lua de mel”, o que pode dificultar a percepção da vítima sobre a gravidade do contexto vivido.

Ciclo de violência. Imagem enviada por: Djeine Roque Felix
A especialista ressalta que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência, como a psicológica, sexual, patrimonial e moral, todas capazes de causar danos profundos.
Desde abril de 2026, a legislação também passou a prever expressamente a violência vicária, caracterizada pela prática de agressões ou ameaças contra filhos, familiares ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher.
Outro ponto destacado é que a busca por proteção não depende, necessariamente, da ocorrência de um crime tipificado. Conforme previsto na Lei Maria da Penha, medidas protetivas podem ser concedidas diante de qualquer ato que ameace a integridade física ou psicológica da vítima.
“Muitas mulheres acreditam que precisam esperar situações extremas para procurar ajuda, mas qualquer ato de violência doméstica e familiar já pode justificar medidas protetivas”, alerta.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres enfatiza ainda que o combate à violência exige a participação de toda a sociedade, incluindo homens, familiares, amigos e instituições públicas.
Além de atuar na formulação e fiscalização de políticas públicas voltadas à proteção feminina, o Conselho busca ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de apoio às mulheres.
Tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha
Violência física: agressões que atingem a integridade corporal da mulher.
Violência psicológica: ameaças, humilhações, manipulação e controle.
Violência sexual: qualquer ato sexual sem consentimento.
Violência patrimonial: destruição ou retenção de bens e recursos financeiros.
Violência moral: ofensas, difamação, injúria e exposição vexatória.
Violência vicária: agressões contra filhos e familiares para atingir emocionalmente a vítima.
Por isso, em casos de violência doméstica e familiar, a orientação é para que mulheres, familiares e testemunhas procurem ajuda o mais cedo possível. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, em situações de emergência, pelo 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona gratuitamente e de forma sigilosa em todo o país, além do Disque 100, para violações de direitos humanos.
Em Ibaiti, vítimas também podem buscar atendimento junto à Polícia Civil, à rede municipal de assistência social, ao CRAS e aos órgãos de proteção à mulher. A denúncia e o acesso à informação são fundamentais para interromper o ciclo da violência e salvar vidas.
Fonte: Portal da Cidade Ibaiti
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