Portal da Cidade Ibaiti

Combate Feminicídio

Caminhada em Ibaiti marca Dia Estadual de Combate ao Feminicídio nesta quarta-feira

Evento promovido no Centro da cidade busca conscientizar a população sobre a violência contra a mulher e a importância da denúncia.

Publicado em 22/07/2026 às 09:46
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Caminhada realizada em 14 de março em protesto pelo feminicídio de Francielli Santos em Ibaiti. (Foto: Cláudia Ohanna Tomé Tabor)

Nesta quarta-feira (22), data em que o Paraná celebra o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, Ibaiti promove a “Caminhada do Meio-Dia”, uma mobilização voltada à conscientização sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher. A concentração está marcada para as 10h, em frente à Prefeitura Municipal, com percurso pela Rua Paraná e encerramento em uma exposição de sapatos em homenagem às vítimas de feminicídio.

A iniciativa reúne a Prefeitura de Ibaiti, por meio das secretarias municipais, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e da Procuradoria da Mulher, com o objetivo de ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero.

A data foi instituída em memória da advogada Tatiane Spitzner, vítima de feminicídio em Guarapuava, em 2018, e reforça a necessidade de conscientizar a sociedade sobre os sinais que antecedem casos extremos de violência.

Advogada criminalista com atuação em crimes relacionados à violência doméstica e atual presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Ibaiti, a especialista destaca que o feminicídio é resultado de um processo que geralmente começa muito antes da agressão física.

Djeine Roque Felix - Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Ibaiti (CMDM)

Ciclo da Violência

O feminicídio é o último estágio de uma violência que, muitas vezes, já vinha acontecendo dentro do relacionamento. Ele começa com pequenas demonstrações de desrespeito, violência verbal e comportamentos abusivos que se intensificam ao longo do tempo.

Djeine Roque Felix - Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Ibaiti (CMDM)

Segundo ela, compreender o chamado ciclo da violência doméstica é essencial para interromper situações de risco. Após episódios de agressão, é comum que haja um período de aparente tranquilidade e reaproximação, conhecido como “lua de mel”, o que pode dificultar a percepção da vítima sobre a gravidade do contexto vivido.


Ciclo de violência. Imagem enviada por: Djeine Roque Felix

A especialista ressalta que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência, como a psicológica, sexual, patrimonial e moral, todas capazes de causar danos profundos.

Desde abril de 2026, a legislação também passou a prever expressamente a violência vicária, caracterizada pela prática de agressões ou ameaças contra filhos, familiares ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher.

Outro ponto destacado é que a busca por proteção não depende, necessariamente, da ocorrência de um crime tipificado. Conforme previsto na Lei Maria da Penha, medidas protetivas podem ser concedidas diante de qualquer ato que ameace a integridade física ou psicológica da vítima.

“Muitas mulheres acreditam que precisam esperar situações extremas para procurar ajuda, mas qualquer ato de violência doméstica e familiar já pode justificar medidas protetivas”, alerta.

A presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres enfatiza ainda que o combate à violência exige a participação de toda a sociedade, incluindo homens, familiares, amigos e instituições públicas.

Além de atuar na formulação e fiscalização de políticas públicas voltadas à proteção feminina, o Conselho busca ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de apoio às mulheres.


Tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha

Violência física: agressões que atingem a integridade corporal da mulher.

Violência psicológica: ameaças, humilhações, manipulação e controle.

Violência sexual: qualquer ato sexual sem consentimento.

Violência patrimonial: destruição ou retenção de bens e recursos financeiros.

Violência moral: ofensas, difamação, injúria e exposição vexatória.

Violência vicária: agressões contra filhos e familiares para atingir emocionalmente a vítima.

Por isso, em casos de violência doméstica e familiar, a orientação é para que mulheres, familiares e testemunhas procurem ajuda o mais cedo possível. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, em situações de emergência, pelo 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona gratuitamente e de forma sigilosa em todo o país, além do Disque 100, para violações de direitos humanos.

Em Ibaiti, vítimas também podem buscar atendimento junto à Polícia Civil, à rede municipal de assistência social, ao CRAS e aos órgãos de proteção à mulher. A denúncia e o acesso à informação são fundamentais para interromper o ciclo da violência e salvar vidas.

Fonte: Portal da Cidade Ibaiti

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