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Furtos em Ibaiti

Vizinho presencia furto de cabos em Ibaiti, tenta chamar a polícia e não é atendido

Relatos apontam prejuízos recorrentes em obras e depósitos e cobram ações mais efetivas contra furtos, receptação e falta de segurança no município.

Publicado em 09/08/2026 às 10:43
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Fios arrancados e a caixa de energia danificada retratam os prejuízos deixados pelo furto de cabos no depósito. (Foto: Colaborador)

O aumento de relatos de furtos de cabos, ferramentas e materiais em obras e estabelecimentos de Ibaiti tem provocado preocupação entre empresários e moradores, que cobram uma atuação mais efetiva do poder público e das forças de segurança. Casos recentes envolvendo o empresário Francismar Regazzo e o proprietário da loja Vovô João, Fábio, expõem uma situação que, segundo os relatos, estaria atingindo diferentes pontos do município e gerando prejuízos financeiros e sensação de insegurança.

Furto ocorreu diante de testemunha e sem atendimento policial

Um dos casos mais recentes envolve o empresário Francismar Regazzo, que teve cabos furtados de um depósito pertencente à família. O prejuízo estimado somente neste episódio é de aproximadamente R$ 2 mil. O furto ocorreu em 30 de julho de 2026 e foi registrado por câmeras de segurança.


Imagem de câmera de segurança registra o momento do furto de cabos no depósito, ocorrido em 30 de julho de 2026.

O que chama atenção no caso, porém, é que o crime teria ocorrido diante de uma testemunha. Um vizinho percebeu a movimentação, viu o homem retirando os cabos do imóvel e tentou acionar a polícia por telefone (43 3546-2318 ou 3546-4441). Segundo o relato, foram realizadas três ligações pelo vizinho, sem que houvesse atendimento. O proprietário também tentou contato, igualmente sem conseguir uma resposta.


Enquanto as tentativas de pedir ajuda não eram atendidas, o homem teria permanecido no local por aproximadamente meia hora, retirando os cabos e produzindo barulho durante a ação. Segundo o relato, ele agiu com tranquilidade, sem aparentar preocupação com a possibilidade de ser surpreendido por uma equipe policial.

O vizinho, que acompanhou o furto sem poder intervir, posteriormente não teria sido procurado pela polícia investigativa para prestar esclarecimentos ou relatar o que havia presenciado. Segundo Francismar, mesmo após o registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil não teria comparecido ao local nem entrado em contato com a testemunha para obter informações sobre a dinâmica do crime.

O episódio levanta um questionamento que ultrapassa o prejuízo financeiro provocado pelo furto: como um crime em andamento, acompanhado por uma testemunha e com sucessivas tentativas de acionamento das forças de segurança, pôde ser concluído sem a presença de uma equipe policial no local?

A situação, porém, não seria um episódio isolado para a família. Francismar também relata uma sequência de furtos de cabos em um imóvel que passa por reforma. Ao todo, seriam três ocorrências anteriores na obra, onde ladrões continuam atuando normalmente e sem medo de serem presos. 

Situações como essa alimentam entre moradores e comerciantes a percepção de que os autores de furtos estariam agindo com cada vez mais liberdade, enquanto vítimas e testemunhas ficam sem saber a quem recorrer diante de um crime em andamento.

Outro ponto questionado pelo empresário diz respeito ao registro da ocorrência. Segundo ele, o imóvel teria sido descrito no boletim como uma “casa abandonada”, classificação que contesta. Francismar afirma que o imóvel esta em reforma e que trabalhadores frequentavam o local.

A reclamação também se soma a outros relatos de furtos de cabos, ferramentas e materiais em obras e estabelecimentos de Ibaiti, reforçando a cobrança por uma atuação mais efetiva e integrada dos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela investigação dos crimes.

Empresário da loja de materiais de construção Vovô João também relata prejuízo.

O problema, porém, não se restringe ao caso mais recente.

Em 20 de junho, o empresário Fábio Fraiz Vanzeli, da loja Vovô João, publicou um desabafo nas redes sociais após também ser vítima de furto de cabos. Na ocasião, ele pediu que Prefeitura, Câmara de Vereadores, Polícia Militar, Polícia Civil e Judiciário atuassem de forma conjunta para enfrentar o problema.

Posteriormente, em conversa com o Portal, Fábio relatou que teve mais de R$ 5 mil a R$ 6 mil de prejuízo somente com os cabos furtados de seu barracão.

O empresário afirma que os crimes não estariam restritos a fios e cabos. Segundo seu relato, também são registrados furtos de ferramentas utilizadas por pedreiros, empreiteiros e trabalhadores da construção civil, como furadeiras e equipamentos elétricos, além de invasões de obras.

Para Fábio, uma das principais dificuldades está em combater apenas os autores que praticam diretamente os furtos, sem avançar sobre a possível cadeia de receptação.

“O problema está nos receptadores”, afirma empresário

Na avaliação do empresário, a investigação deveria alcançar também estabelecimentos e pessoas que eventualmente compram materiais provenientes de furtos.

Fábio defende uma atuação integrada entre os órgãos públicos, forças policiais e fiscalização municipal. Como exemplo, citou Castro (PR), onde, segundo ele, teria sido adotada uma força-tarefa envolvendo diferentes setores para fiscalizar estabelecimentos e combater a comercialização irregular de materiais.

A proposta, segundo o empresário, seria identificar estabelecimentos que atuem irregularmente e verificar a procedência dos materiais comercializados. Ele ressalta que não se trata de generalizar a suspeita para todos os estabelecimentos do segmento, mas de investigar aqueles que eventualmente possam estar envolvidos com a receptação.

Cobrança envolve diferentes órgãos

As reclamações apresentadas ao Portal vão além da falta de atendimento em uma ocorrência específica. Para os empresários ouvidos, a sequência de furtos e a percepção de que os autores continuam agindo livremente revelam um problema de segurança que exige uma resposta coordenada e mais efetiva do poder público.

A cobrança envolve Prefeitura, Câmara Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Judiciário. Na avaliação dos empresários, não basta agir somente depois que o crime acontece. É necessário avançar na prevenção, na investigação dos casos, na identificação dos responsáveis e, principalmente, no combate aos possíveis receptadores que dão destino aos cabos e metais furtados.

A recorrência de ocorrências em obras, depósitos e estabelecimentos levanta uma questão que ultrapassa cada caso individual: quais medidas estão sendo adotadas para impedir que esses crimes continuem acontecendo em Ibaiti?

O enfrentamento desse tipo de ocorrência não depende apenas da atuação policial no momento do crime. Também envolve prevenção, fiscalização, investigação, políticas públicas de segurança, atuação do Poder Legislativo e aplicação da legislação pelo sistema de Justiça.

Quando um furto ocorre, a resposta precisa ir além do simples registro da ocorrência. É necessário investigar a origem dos materiais, identificar possíveis receptadores e compreender como os produtos furtados chegam a eventuais mercados de comercialização irregular. Sem atingir os diferentes pontos dessa cadeia, novos crimes podem continuar sendo praticados contra obras, empresas, comerciantes e trabalhadores.

Outro aspecto que merece atenção é a possibilidade de subnotificação. Pessoas que sofrem pequenos furtos ou invasões podem deixar de registrar a ocorrência por acreditarem que não haverá investigação ou recuperação dos bens. Se isso estiver acontecendo, os registros oficiais podem não refletir toda a dimensão do problema.

Diante dos relatos reunidos pelo Portal, fica uma cobrança aos órgãos que possuem responsabilidade direta ou indireta pela segurança pública no município: quais são as ações concretas em andamento para prevenir novos furtos, investigar os casos registrados, identificar possíveis receptadores e reduzir a sensação de insegurança entre moradores, comerciantes e trabalhadores?

A população também precisa saber quais canais devem ser utilizados diante de um crime em andamento, como as ocorrências são encaminhadas e quais providências podem ser adotadas pelos diferentes órgãos quando situações semelhantes se repetem.

O problema, portanto, não se resume ao valor de um cabo ou de uma ferramenta furtada. Cada ocorrência representa prejuízo financeiro, interrupção de atividades, insegurança e novos custos para quem já foi vítima. A repetição dos casos exige respostas, transparência e ações capazes de enfrentar não apenas quem pratica o furto, mas também eventuais estruturas de receptação que permitem que os materiais subtraídos encontrem destino.

Fonte: Portal da Cidade de Ibaiti

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