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História e memória

Mina Velha: o berço de Ibaiti e a origem de sua história

Exploração de carvão deu origem ao município em 1916; área reúne patrimônio natural, memória coletiva e simboliza o início de Ibaiti

Publicado em 22/03/2026 às 11:00
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Imagem restaurada da entrada da mina, Parque Ecológico Mina Velha. (Foto: Inventário Turístico do Município de Ibaiti)

Entrada do Parque Ecológico em 2015 (Foto: Inventário Turístico do Município de Ibaiti)

Entrada do Parque Ecológico em 2022 (Foto: Gilson Sarrafho)

Mapa turístico do Parque Ecológico, 2022. (Foto: Gilson Sarrafho)

Imagem restaurada da Cachoeira do Sol Nascente, queda d'água com aproximadamente 15 metros de altura. (Foto: Inventário Turístico do Município de Ibaiti)

Imagem restaurada de mirante interno dentro da Mina Velha (Foto: Inventário Turístico do Município de Ibaiti)

Muito antes de se tornar um parque ecológico, a Mina Velha foi o ponto de partida para o surgimento de Ibaiti. A descoberta de uma jazida de carvão mineral, no início do século XX, atraiu moradores, impulsionou a economia local e deu origem ao povoado que, anos depois, se transformaria no município. Hoje, o local carrega não apenas riqueza natural, mas também a memória de como tudo começou.

Onde nasce Ibaiti

A história da Mina Velha está diretamente ligada à origem de Ibaiti. Foi em 1916, com a descoberta de uma jazida de carvão mineral, que a região começou a receber os primeiros moradores, atraídos pela possibilidade de trabalho e desenvolvimento econômico.

Na época, o território fazia parte de uma área conhecida como Patrimônio do Café, formada a partir da doação de terras realizada pelo coronel Luiz Ferreira de Mello. Com o avanço da exploração mineral, surgiram os primeiros ranchos e núcleos familiares, dando início à formação do povoado.


Vagoneta utilizada no transporte de carvão no interior da Mina Velha, elemento que remete ao período de exploração mineral que marcou o início de Ibaiti. Foto: Gilson Sarrafho

A atividade mineradora passou a ser organizada com a chegada de especialistas e trabalhadores, entre eles o técnico Pedro Pinheiro, que teve papel importante na estruturação inicial da exploração de carvão na região.

O carvão que impulsionou o desenvolvimento

Nos primeiros anos, o transporte do carvão era um dos principais desafios. A produção precisava ser levada por carros de boi até a estação ferroviária mais próxima, em um percurso de aproximadamente 70 quilômetros por estradas precárias, atravessando rios e terrenos difíceis.


Peças do acervo do Museu Mário Yamanouye ilustram a logística do transporte de carvão nos primeiros anos da atividade. Foto: Portal da Cidade

As dificuldades logísticas evidenciaram a necessidade de uma estrutura mais eficiente. Com a confirmação da existência de carvão em quantidade significativa, o governo autorizou a construção de um ramal ferroviário ligando a região ao mercado consumidor.

As obras começaram em 1920 e foram concluídas em 1925, conectando a região ao Vale do Rio do Peixe e impulsionando o crescimento dos povoados vizinhos, como Barra Bonita, que se desenvolveu às margens da ferrovia.

Da mineração ao município

Com o avanço econômico e o aumento populacional, a região passou por transformações administrativas ao longo das décadas seguintes. Barra Bonita, como era chamada, ganhou protagonismo político e estrutural, tornando-se o novo centro de desenvolvimento.

Anos depois, o local foi elevado à condição de município, já com o nome de Ibaiti, oficializado em 11 de outubro de 1947. O nome, de origem indígena, significa “Água da Pedra”, em referência às características naturais da região.

Um patrimônio natural e turístico

Com o passar do tempo, a área da antiga mineração passou a ser reconhecida também por sua riqueza ambiental. Localizado a cerca de um quilômetro do centro da cidade, o espaço possui aproximadamente 46,7 hectares e integra um vale amplo coberto por vegetação nativa.


Imagem restaurada do Salto da Mina. Mirante ao fundo da queda d'água. Fonte: Inventário Turístico do Município de Ibaiti
Entre os principais atrativos está o Salto da Mina, uma queda d’água de cerca de 40 metros de altura, formada pelo Ribeirão Barra Bonita, que cria um poço natural com aproximadamente 7 metros de profundidade.

A estrutura do parque, em seu período de funcionamento, chegou a oferecer galerias abertas à visitação, réplicas de vagonetas no interior da mina, mirantes — incluindo um instalado na antiga chaminé — além de espaços para contemplação, trilhas e atividades de educação ambiental.

Memória, lazer e identidade

Durante anos, a Mina Velha foi um dos principais pontos de lazer de Ibaiti, recebendo visitantes para caminhadas, contato com a natureza e atividades de aventura em áreas permitidas.

Mais do que um atrativo turístico, o local se consolidou como parte da memória afetiva da população, reunindo histórias, encontros e experiências vividas por diferentes gerações.

Um espaço marcado pelo tempo

Com a necessidade de adequações estruturais e medidas de segurança, o parque acabou sendo interditado, permanecendo fechado à visitação nos últimos anos.


Ainda assim, mesmo sem uso, a Mina Velha nunca deixou de ocupar um lugar importante na identidade da cidade, sendo constantemente lembrada pelos moradores como um dos espaços mais emblemáticos de Ibaiti.

Entre o passado e o futuro

Atualmente, com os projetos de revitalização em andamento, a Mina Velha volta a ganhar destaque no cenário local.

Mais do que a recuperação de um espaço físico, o que se desenha é a possibilidade de reconectar a história do município com seu futuro, valorizando um patrimônio que representa, ao mesmo tempo, origem, memória e potencial de desenvolvimento.

Confira, na capa desta reportagem, imagens que mostram diferentes momentos da Mina Velha ao longo do tempo.

Moradores que possuam fotos antigas do local e queiram contribuir com esse resgate histórico podem enviar imagens para o WhatsApp do jornal: (43) 9 9952-2197.

Fonte: Portal da Cidade de Ibaiti

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