SEGURANÇA AFETIVA
Relacionamentos abusivos: como identificar sinais e buscar ajuda
Comportamentos sutis podem indicar abuso emocional; informação e apoio profissional são essenciais para romper o ciclo
Publicado em
27/03/2026 às 18:02
Atualizado em
Nem sempre agressões físicas ou hostilidades explícitas denunciam um relacionamento abusivo. A psicóloga Meire Izidoro Santos explica como identificar comportamentos prejudiciais, desde ironias e sarcasmos até controle disfarçado de cuidado, e orienta sobre caminhos de apoio psicológico e formal.
Compreendendo o que é um relacionamento abusivo
Relacionar-se com alguém envolve lidar com diferenças individuais, o que exige respeito e compreensão. No âmbito amoroso ou conjugal, atitudes inadequadas podem ultrapassar limites saudáveis e gerar sofrimento. Segundo Meire Izidoro Santos, “para considerar um relacionamento como abusivo, é importante observar situações que causam desconforto ou mal-estar de forma reiterada e progressiva, culminando em impactos psicológicos sérios”.
Ela explica que o abuso nem sempre se apresenta de maneira óbvia. “Muitas vezes ele está escondido em falas irônicas, tons de sarcasmo, mensagens ou presentes que parecem inofensivos, mas que, no ambiente privado, se amplificam e afetam a autoestima e a saúde emocional da pessoa”, afirma a psicóloga.
O principal desafio é identificar quando o comportamento do parceiro deixa de ser apenas uma diferença de personalidade e se torna prejudicial, afetando o bem-estar físico, emocional e psicológico de quem vive a relação.
Sinais que indicam um relacionamento abusivo
Entre os sinais mais comuns, alguns podem ser sutis e facilmente confundidos com cuidado ou atenção:
- Controle disfarçado de afeto: gestos que parecem preocupados ou amorosos podem ser estratégias para manipular decisões e comportamentos da outra pessoa.
- Dependência emocional induzida: o parceiro faz com que a pessoa acredite que não consegue viver sem ele, utilizando memórias compartilhadas ou histórias do passado para manter o vínculo.
- Pressões culturais ou religiosas: expectativas ou regras impostas sob justificativas de tradição ou fé, que culpabilizam e limitam a autonomia do indivíduo.
- Isolamento gradual: interferência em relações familiares e sociais, cerceando o convívio com amigos, familiares ou a comunidade.
Meire Izidoro Santos alerta que, ao longo do tempo, esses comportamentos podem se intensificar, interferindo diretamente em direitos básicos relacionados à saúde, identidade, cidadania e bem-estar psicológico.
Impactos emocionais e sociais
O abuso psicológico e emocional pode gerar consequências profundas, como:
- Redução da autoestima e autoconfiança.
- Ansiedade, depressão e crises emocionais.
- Dificuldade em confiar em si mesmo e nos outros.
- Impacto na saúde física, devido ao estresse prolongado.
A psicóloga explica que o mal-estar nem sempre é percebido de imediato, especialmente quando os abusos se apresentam de forma sutil. Por isso, a conscientização sobre os sinais é fundamental.
A importância de buscar ajuda
Identificar o abuso é apenas o primeiro passo. É amplamente recomendado que pessoas em situações de pressão psicológica ou manipulação emocional:
- Procurem terapia ou acompanhamento psicológico, para reconstruir a autoestima e o senso de autonomia.
- Realizem denúncias formais, quando houver risco ou violência comprovada, aos órgãos competentes.
- Conversem com amigos e familiares de confiança, fortalecendo uma rede de apoio emocional.
“Reconhecer que se está em um relacionamento abusivo e buscar ajuda é essencial para romper o ciclo de sofrimento. A informação, o apoio psicológico e a orientação profissional são ferramentas poderosas para reconstruir a vida emocional e social”, conclui a especialista.
Em casos de violência ou suspeita de relacionamento abusivo, é possível buscar ajuda por meio de canais oficiais de denúncia gratuitos e sigilosos. O Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo orientação e recebendo denúncias em todo o país. Já o Disque 190, da Polícia Militar, deve ser acionado em situações de emergência. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, sem necessidade de identificação, garantindo segurança e proteção para quem busca ajuda.
Fonte: Portal da Cidade de Ibaiti
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