MOBILIDADE
Sem transporte público, moradores de distritos de Ibaiti perdem oportunidades de trabalho
Trabalhadores relatam gastos elevados com deslocamento, dificuldades de acesso a serviços essenciais e reivindicam transporte regular até a cidade.
Publicado em
11/10/2026 às 09:22
Atualizado em
Moradores de Vila Guay e de outras localidades do município procuraram o Portal da Cidade Ibaiti para relatar as dificuldades enfrentadas pela falta de transporte coletivo regular até a área urbana. Segundo os relatos, a situação tem provocado perda de oportunidades de trabalho, aumentado os custos de deslocamento e dificultado o acesso a serviços essenciais, especialmente na área da saúde. A população reivindica transporte com horários que atendam às necessidades das comunidades.
“Já perdi serviço porque não consegui ir para Ibaiti, porque nem todo mundo tem veículo”, contou um dos moradores que procuraram o Portal da Cidade Ibaiti.
Para quem depende de empregos com horários fixos, serviços temporários ou diárias na cidade, conseguir uma oportunidade de trabalho nem sempre significa ter condições de aproveitá-la. Em alguns casos, a dificuldade não está apenas em chegar ao destino, mas também em encontrar transporte para voltar para casa.
Deslocamento pode comprometer o valor recebido pelo trabalho
Segundo os moradores, um aposentado realiza viagens entre Vila Guay e Ibaiti quatro vezes por semana, transportando passageiros que precisam se deslocar até a cidade. Embora a iniciativa ajude parte da comunidade, os horários disponíveis nem sempre coincidem com o início e o término das jornadas de trabalho.
O valor informado é de R$ 15 por trecho, totalizando R$ 30 para quem consegue realizar a ida e a volta no mesmo dia. Se houvesse transporte disponível durante os 22 dias úteis de um mês, um trabalhador que dependesse diariamente desse serviço gastaria R$ 660 apenas com deslocamento.
Quando não conseguem transporte para retornar, moradores afirmam que uma corrida de táxi entre Vila Guay e Ibaiti pode custar aproximadamente R$ 90. Há relatos de trabalhadores que precisaram recorrer a essa alternativa após realizar uma diária, comprometendo parte significativa do dinheiro recebido.
Outros acabam permanecendo na casa de conhecidos para conseguir trabalhar no dia seguinte, uma alternativa que nem todos possuem.
“Tem gente que vai fazer diária em Ibaiti e precisa dormir na casa dos outros para poder trabalhar. E tem quem nem essa possibilidade tenha”, relatou outro morador.
Dificuldade também atinge o acesso à saúde e a serviços essenciais
A reivindicação não se limita às necessidades dos trabalhadores. A falta de transporte coletivo regular também afeta moradores de outras localidades do município, como Campinhos, Vassoural, Amorinha e Eusébio de Oliveira, que precisam se deslocar até a área urbana de Ibaiti para resolver questões que não podem ser atendidas nas próprias comunidades.
Consultas médicas, exames, retirada de medicamentos e outros atendimentos de saúde estão entre as necessidades que podem exigir esse deslocamento. Para famílias sem veículo próprio, chegar à cidade representa uma dificuldade adicional, especialmente quando há despesas com transporte particular ou dependência da disponibilidade de outras pessoas.
A situação preocupa principalmente nos casos em que o atendimento não pode ser adiado. Além das questões de saúde, os moradores precisam acessar serviços públicos, resolver pendências e realizar atividades essenciais à rotina familiar, o que amplia a importância de uma alternativa regular de transporte.
Moradores reivindicam horários compatíveis com suas necessidades
A principal solicitação da comunidade é a implantação de transporte coletivo com horários definidos de ida e volta, especialmente nos períodos de entrada e saída dos trabalhadores, mas que também permita o deslocamento de moradores que precisam acessar serviços durante o dia.
A população questiona a diferença entre as condições oferecidas a quem vive na área urbana de Ibaiti e aos moradores dos distritos. Enquanto a cidade dispõe de transporte coletivo gratuito, as comunidades mais afastadas, segundo os relatos recebidos, continuam dependendo de alternativas particulares para realizar seus deslocamentos.
Os moradores afirmam que a necessidade de transporte para os distritos já foi apresentada anteriormente ao poder público, mas que ainda não houve uma solução regular capaz de atender à demanda.
Comunidade aguarda posicionamento da Prefeitura
A reivindicação é pela criação de um serviço que considere a rotina das comunidades, com trajetos e horários que permitam tanto o acesso ao trabalho quanto a realização de consultas, atendimentos e outras atividades essenciais.
O Portal da Cidade Ibaiti busca esclarecimentos da Prefeitura sobre a possibilidade de ampliar o transporte coletivo gratuito aos distritos, a existência de estudos ou projetos para atender essas localidades e eventuais previsões de implantação do serviço.
O espaço permanece aberto para manifestação do poder público.
Fonte: Portal da Cidade de Ibaiti
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